domingo, 23 de janeiro de 2011

Eleições Presidenciais PT 2011- "Notas mortas”

A abstenção mostra o nível geral de civismo que apresenta o nosso país. É um dos males das democracias modernas (maduras portanto). No meu ver é um desrespeito pelo nosso passado e por aqueles que tanto lutaram por conquistar a liberdade e os direitos fundamentais para o nosso desenvolvimento enquanto sociedade e cidadãos de hoje. Não votar é virar as costas ao futuro do país. Já no voto em branco reconheço a vontade de protestar contra os candidatos, a falta deles, ou a falta de qualidade que os portugueses lhe reconheçam para ocuparem o mais alto cargo republicano a seguir ao Presidente da Assembleia da República.

Compreendo que os portugueses estejam fartos de falsos profetas políticos ou mesmo das máquinas partidárias que abafam o espaço a possíveis candidatos do “povo”. No entanto, pode dizer-se que, desta vez, apenas houve um candidato (Cunha Lopes (PCP)) que concorresse pelo partido. Todos os restantes fizeram-no como independentes, embora alguns, como Cavaco e Alegre, tivessem PSD e PS+BE respectivamente como apoiantes. Salve-se Fernando Nobre, José Coelho e Defensor Moura. Então, se até houve movimentos cívicos, que abriram uma brecha nos “suspeitos do costume” ao “poleiro”, qual a razão para mais de metade do país não ir votar, nem que fosse em branco?


Uma coisa é certa, a posição de PR (Presidente da República) sai amplamente desvalorizada aos olhos dos portugueses com o estudo dos resultados apresentados. É um facto que, a meu ver, deve ser seriamente discutido, o aumento de poder e legitimidade que o PR dispõe, por forma a permitir um maior envolvimento do mesmo (dentro de uma cooperação estratégica com o governo) em matérias de interesse global. Motivando assim um maior interesse dos portugueses na votação do seu candidato ao cargo.


Mas falemos de Cavaco, o homem que ganhou democraticamente as eleições presidências de 2011 por uma elevada margem face aos concorrentes. A receita para a vitória (para mim mais que prevista) foi simples:


O reeleito Cavaco Silva, com o aproximar do dia eleitoral, foi vincado o seu afastamento (o mais que possível) do governo e suas orientações, para conquistar votos ao eleitorado descontente. Chegou mesmo a causar alguma crispação ou “mau ambiente político”, nada benéfico para a nossa economia e imagem nos mercados internacionais. Enfim fez o seu “jogo” (naturalmente).


Juntando os votos (quase garantidos) dos sociais-democratas, com os descontentes e contestatários ao governo, a fragmentação da esquerda e a não existência de alternativas à direita, apenas poderiam ditar uma vitória à primeira volta. Somando a isto, ainda o facto de ter beneficiado com a grande abstenção dos eleitores (53,37%), que diga-se, conseguiu ser superior ao resultado obtido pelo PR (52,94%) e ao conjunto de todos os restantes (5) candidatos que totalizaram 47.06% dos votos.


Volto a vincar, mais de metade dos portugueses não votou!


É caso para questionar qual seria o resultado se todos os portugueses votassem. Venceria Cavaco à primeira volta? Aumentaria o desceria o seu resultado eleitoral? E os restantes adversários? Quem disputaria o duelo com Cavaco na segunda volta, Alegre ou Nobre? Teria ganho Cavaco na segunda volta?


Penso que, fora as despesas inerentes à realização de uma segunda volta, o país teria muito mais a ganhar com um duelo entre Cavaco (era certo) e um Manuel Alegre/FernandoNobre (por exemplo).


Em suma Cavaco passeou durante toda a campanha, muito por culpa de falta de entendimento entre a esquerda, do enfraquecimento do governo e talvez porque não teve adversários à altura (ou pelo menos não tão bem municiados financeiramente) como Fernando Nobre, que ainda assim obteve um bom resultado (a exemplo de Manuel Alegre em 2006).


Concluo referindo que, como se sabe, não é o Presidente da República que vai resolver os problemas do país. Há por aí muito português iludido. Para aqueles que celebraram a vitória gostaria de saber que espectativas têm face a reeleição do PR… Dissolução do governo!? Não me parece. Nem seria solução certamente. Só agravaria mais a situação económica, veja-se o actual caso da Bélgica…


Evitem-se os caminhamos, que lentamente, se o rumo desta República não for alterado, nos transportarão para um hipotético anarquismo selvático.


E se não votou, espero que repense seriamente o seu acto, não deixe que os outros decidam o futuro por si!




Carlos Alberto em “Notas mortas”


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