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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

A culpa não é dos portugueses!



Imagina:

Estás com fome, mas não tens possibilidade de comer mais. Há uns anos (até 1987 se não estou em erro) só tinhas 2 soluções. Ou continuavas a aguentar até que as tuas condições salariais melhorassem, ou pedias emprestado a um amigo/familiar. Portanto, a dívida das famílias, era reduzida ou inexistente. No entanto, a partir daí, o crédito concedido por instituições financeiras (que estava apenas disponível para pessoas colectivas), estendeu-se ao cidadão comum, e com a introdução de Portugal na moeda única europeia, liberalizou-se este NEGÓCIO que acabaria por se vulgarizar.
Ora bem, uma pessoa como tu (no exemplo :P) que estavas com dificuldades para te alimentares (e não te conseguias financiar da maneira que referi), de repente, dum dia para o outro, passas a conseguir fazê-lo com relativa facilidade. Ainda, por cima, com juros baixíssimos e contando com ordenado fixo e emprego (que, se supunha, que durasse para toda a vida)... Sim, estávamos naquele tempo, em que a efectividade numa empresa, era sinónimo de competência e reconhecimento por parte do animal (leia-se boss) xD
Vivia-se bem, havia abundância, o consumismo começava a imperar e obviamente, que as entidades que emprestavam o dinheiro (que elas próprias criam), lucravam (e lucram) e expandiam-se a olhos vistos... Ora, no meio disto tudo, a ganância das entidades financeiras em querer multiplicar os seus lucros, influência e poder, teve, a meu ver, um papel determinante que, com o tempo, nos arrastou até este buraco. Repare-se que: "Quanto mais crédito é concedido, mais capital próprio deve possuir o banco, para ter um rácio de solvabilidade adequado." Logo quanto mais capital próprio, mais crédito pode conceder e com maior atractividade, aumentado assim a cota de mercado e claro, os respectivos lucros (ciclo vicioso).
Para além disso, os juros, subitamente, deixaram de ser simpáticos passando a ser, na maioria dos casos, insustentáveis. O que originou um efeito retrocessivo na economia e obrigou empresas a reduzir despesas, para cumprir com obrigações. Cortes que, afectaram, para além de fornecedores, os próprios trabalhadores e consumidores (com salários reduzidos, despedimentos…). Gerando assim, uma onda assassina. Pois, muitos desses colaboradores, também tinham obrigações a cumprir. Para além das normais tributações estatais, das necessidades de sustentabilidade diárias individuais/familiares, incluíam-se, agora, também os juros dos empréstimos obtidos, que teriam que ser pagos mensalmente (e que, como referido, tinham aumentado significativamente). Assim sendo, o cidadão também se contraiu o mais que pode. Muitos ingloriamente (sobretudo devido ao desemprego). Com isto, o consumo atinge valores mínimos. As organizações não conseguem escoar o produto ou prestar serviços em quantidade necessária e mais colaboradores são empurrados para casa. Isto, enquanto estes, a conseguirem ir pagando... Por esta altura, já se começa também a ouvir o famoso termo, "crédito mal parado".
Ora se a economia não cresce, estagna ou entra em recessão. E deste modo, o estado vê-se obrigado, também ele, a pedir dinheiro emprestado, para fazer face às despesas correntes. Despesas, estas, que também sobem em flecha, devido a Subsídios de Desemprego, Rendimento de Inserção Social (...), da mesma forma que, a receita do estado desce abruptamente. Diminui a produção, diminui o consumo (...) e em contrapartida, o valor tributado nos impostos relativos aos produtos, bens, pessoas, serviços (e o raio que os parta), não chega para sustentar a educação, saúde, segurança social, etc, afecta a toda a população. Então lá vem o Coelho e Gaspar  SA e pimba! Toca a subir todos os impostos, reduzir salários, retirar subsídios, regalias, e um monte de coisas que tínhamos dado como adquiridas!
No final do ano, não se atinge o défice exigido, lá vem o Coelho e Gaspar SA , e pimba! Toca a subir os impostos... Isto até metade da população falir. E se não o pusermos a andar dali para fora...

Imaginem de novo:


Alguém honesto, consegue um empréstimo para construir uma fábrica, onde empregaria 300 pessoas. Aquando a celebração do acordo financeiro com a instituição, acorda-se que, num prazo de 10 anos, estaria tudo pago (com base nas condições económicas do momento e mesmo a prever que a coisa piorasse em 7% ao ano). Passado 2/3/ anos, a margem está ultrapassada devido a uma crise económica. Mesmo depois de negociar o empréstimo não consegue a desejada sustentabilidade… Acham que a pessoa é culpada por isso? Por acaso ela tem bola de cristal? Tem culpa que haja especuladores no mundo que quando estalam os dedos mudam as regras do jogo ou utilizam a sua influência para o virar a seu favor? Como vai conseguir pagar o empréstimo e salvar todos os postos de trabalho? E os seus trabalhadores têm culpa de poderem vir a ser despedidos, ou a empresa fechar? E se eles também tivessem recorrido ao crédito? Para, por exemplo, comprarem um carro, com o objectivo de se deslocarem até ao local de trabalho!? Também eles são culpados?
Mesmo admitindo que o patrão não tem formação em economia, que culpa têm os colaboradores!?
E mesmo que os portugueses fossem culpados, então, mas... O que foi feito para travar os tais "abusos"?
Para que serve o Governo?
Que medidas preventivas foram tomadas? Porque andarmos sempre a reboque de políticas de reacção!?
E o Banco de Portugal? E o BCE? Então os que arranjaram a negociata nunca pensaram na perspectiva do consumidor? E quem aprovou/legalizou e continua a permitir tudo isto sem que se aperte com estes cães, foi o quê? Conivente, ignorante ou negligente?

Vejamos algumas funções e missões do Banco de Portugal:

Supervisão prudencial e comportamental

Compete especialmente ao Banco de Portugal "velar pela estabilidade do sistema financeiro nacional, assegurando, com essa finalidade, designadamente, a função de refinanciador de última instância". Assim, o Banco exerce a supervisão prudencial das instituições de crédito, das sociedades financeiras e das instituições de pagamento. (...)
"O Banco de Portugal exerce também a supervisão da actuação das instituições na relação com os seus clientes – supervisão comportamental. Neste âmbito, o Banco de Portugal intervém no domínio da oferta de produtos e serviços financeiros – para que as instituições actuem com diligência, neutralidade, lealdade, discrição e respeito no relacionamento com os clientes – e também ao nível da procura de produtos e serviços – estimulando e difundindo informação junto dos clientes bancários, promovendo uma avaliação cuidada dos compromissos que estes assumem e dos riscos que tomam." (...)

Produção de estudos e análises económicos

"O Banco de Portugal produz estudos e análises da economia portuguesa, da economia da área do euro e do seu enquadramento internacional e dos mercados e sistemas financeiros. Neste âmbito, publica o Relatório Anual, o Relatório de Estabilidade Financeira, o Boletim Económico e os Indicadores de Conjuntura." (...)

Relações com o Estado

"Compete ao Banco de Portugal agir como intermediário das relações monetárias internacionais do Estado, bem como aconselhar o Governo nos domínios económico e financeiro."

Então mas foram os pobres que contraíram todos os empréstimos para viver à grande!? Ou os do salário mínimo!? Foi só a classe média!? Se bastam 3 ou 4 cães para obter empréstimos de valores superiores a todos os que nós juntos poderemos alguma vez ter acesso!? Há, esperem... A esses, o estado salda-lhes as dívidas (BPN) com o nosso dinheiro...
Afinal onde estão os culpados?
Porque são sempre os mesmos a pagar?

Atenção! 

Há quem queira que pensemos que fomos nós os despesistas, que foi por nossa causa que a fome regressou, que fomos nós que fizemos negócios ruinosos, fomos nós que beneficiamos de roubos, de tráfico de influências, de paraísos fiscais, de lavagens de dinheiro, de empresas fantasmas, do tráfico de droga, de armas, das guerras, do petróleo e energia, da água, dos incêndios, fomos nós que gerimos as empresas estatais que ruíram, fomos nós que endividámos as câmaras municipais, que beneficiámos de empréstimos para construir estádios e auto-estradas para estarem às moscas...
Temos que poupar! Temos que “esmifrar”! Temos de trabalhar mais! Temos que de nos calar! Temos que deixar de ser piegas! Temos que, temos que, temos que... Blá, blá, blá!!! E eles!?!?!? Que têm eles!? Eu digo-vos: tudo o que o dinheiro comprar... (percebem agora porque não têm vergonha no focinho?).
Nós não vivemos acima das possibilidades, nós subsistimos com as possibilidades que nos dão e que nos tiram sem avisar! Estamos dependentes de 2 ou 3 animais, dos seus compinchas e  respectivos caprichos...
Continuem a ser os seus cordeirinhos!

Relativamente aos juros, uma vez que não sou economista e não aprofundei, deixo aqui uma ligação onde poderá encontrar informação simples sobre a sua variação.

por Carlos Alberto

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

III Guerra Mundial!? EUA ajudarão a Europa?


Depois de ler esta notícia:
http://www.ionline.pt/dinheiro/governo-alemao-confirma-berlim-quer-ocupar-atenas-talvez-lisboa
E de ler os comentários tive que "deitar umas coisas cá para fora"!:

Na Grécia não há petróleo, nem armas de destruição maciça (ou em massa), nem terroristas, nem recursos naturais valiosos… Não vejo um motivo “lógico-económico”, para os "benfeitores" americanos gastarem mais uns bons milhares de milhões de dólares (estando também eles em crise) para socorrer um país na penúria em troca de nada. Só se sentirem ameaçados pelos comunistas ou pela destruição completa da Europa (em caso de guerra) e consequente possibilidade de verem o seu actual dinheiro emprestado e respectivos juros sem retorno. Claro que um financiamento em armas por parte dos EUA é sempre apetecível (como o fizeram na II Guerra Mundial, mesmo antes de terem oficialmente entrado). Hum... Se calhar a terra do velho "Tio Sam" até está interessada...

A III guerra mundial a meu ver é inevitável, seja num futuro próximo ou mais longínquo. Mas não acontecerá enquanto a crise não chegar, mais a sério, a alguns países (que não se têm manifestado, ou pelo menos com a determinação desejada – porque será?).

A culpa da crise, essa, (para além dos políticos) deve-se, sobretudo, ao sistema económico e financeiro que impera na maior parte do mundo (e não estou a defender os restantes). Sistema este viciado, baseado no crédito e nos juros, na obrigatoriedade de crescimento infinito e consequente endividamento, na contínua emissão de moeda e aumento da inflação, no neoliberalismo selvagem, no poder e influência das instituições financeiras… Este sistema trouxe melhores condições de vida? Sim. Mas também aumentou as desigualdades e está a provar que não é sustentável. Pois o consumo e crescimento contínuo exigem recursos infinitos (resultando na sobreexploração e destruição do ambiente) e a maior parte, dos que nós dependemos, são finitos (e estão apenas ao alcance de alguns "manhosos").

A haver guerra, salvem-se aqueles que, para a posteridade, lutem por um novo sistema económico, mais justo e fiável, porque não faz sentido continuarmos a viver para alimentar os sonhos de meia dúzia (e não me refiro aos “senhores” dos ordenados altos, mas sim milionários!). Destruir a Europa e o Mundo para voltar ao mesmo, só se forem os causadores do problema a vencerem! E se isso acontecer, será por nossa culpa, pois "somos 99%".

Não sei se o problema está no dinheiro em si, se no poder e influência que gera a quem o possuí em abundância… Mas de uma coisa tenho a certeza: nunca haverá, verdadeiramente paz, enquanto não surgir um mecanismo equilibrado capaz de regular a necessidade, a escassez e a distribuição dos recursos pelos povos!


Carlos Alberto em “Notas mortas”

domingo, 23 de janeiro de 2011

Eleições Presidenciais PT 2011- "Notas mortas”

A abstenção mostra o nível geral de civismo que apresenta o nosso país. É um dos males das democracias modernas (maduras portanto). No meu ver é um desrespeito pelo nosso passado e por aqueles que tanto lutaram por conquistar a liberdade e os direitos fundamentais para o nosso desenvolvimento enquanto sociedade e cidadãos de hoje. Não votar é virar as costas ao futuro do país. Já no voto em branco reconheço a vontade de protestar contra os candidatos, a falta deles, ou a falta de qualidade que os portugueses lhe reconheçam para ocuparem o mais alto cargo republicano a seguir ao Presidente da Assembleia da República.

Compreendo que os portugueses estejam fartos de falsos profetas políticos ou mesmo das máquinas partidárias que abafam o espaço a possíveis candidatos do “povo”. No entanto, pode dizer-se que, desta vez, apenas houve um candidato (Cunha Lopes (PCP)) que concorresse pelo partido. Todos os restantes fizeram-no como independentes, embora alguns, como Cavaco e Alegre, tivessem PSD e PS+BE respectivamente como apoiantes. Salve-se Fernando Nobre, José Coelho e Defensor Moura. Então, se até houve movimentos cívicos, que abriram uma brecha nos “suspeitos do costume” ao “poleiro”, qual a razão para mais de metade do país não ir votar, nem que fosse em branco?


Uma coisa é certa, a posição de PR (Presidente da República) sai amplamente desvalorizada aos olhos dos portugueses com o estudo dos resultados apresentados. É um facto que, a meu ver, deve ser seriamente discutido, o aumento de poder e legitimidade que o PR dispõe, por forma a permitir um maior envolvimento do mesmo (dentro de uma cooperação estratégica com o governo) em matérias de interesse global. Motivando assim um maior interesse dos portugueses na votação do seu candidato ao cargo.


Mas falemos de Cavaco, o homem que ganhou democraticamente as eleições presidências de 2011 por uma elevada margem face aos concorrentes. A receita para a vitória (para mim mais que prevista) foi simples:


O reeleito Cavaco Silva, com o aproximar do dia eleitoral, foi vincado o seu afastamento (o mais que possível) do governo e suas orientações, para conquistar votos ao eleitorado descontente. Chegou mesmo a causar alguma crispação ou “mau ambiente político”, nada benéfico para a nossa economia e imagem nos mercados internacionais. Enfim fez o seu “jogo” (naturalmente).


Juntando os votos (quase garantidos) dos sociais-democratas, com os descontentes e contestatários ao governo, a fragmentação da esquerda e a não existência de alternativas à direita, apenas poderiam ditar uma vitória à primeira volta. Somando a isto, ainda o facto de ter beneficiado com a grande abstenção dos eleitores (53,37%), que diga-se, conseguiu ser superior ao resultado obtido pelo PR (52,94%) e ao conjunto de todos os restantes (5) candidatos que totalizaram 47.06% dos votos.


Volto a vincar, mais de metade dos portugueses não votou!


É caso para questionar qual seria o resultado se todos os portugueses votassem. Venceria Cavaco à primeira volta? Aumentaria o desceria o seu resultado eleitoral? E os restantes adversários? Quem disputaria o duelo com Cavaco na segunda volta, Alegre ou Nobre? Teria ganho Cavaco na segunda volta?


Penso que, fora as despesas inerentes à realização de uma segunda volta, o país teria muito mais a ganhar com um duelo entre Cavaco (era certo) e um Manuel Alegre/FernandoNobre (por exemplo).


Em suma Cavaco passeou durante toda a campanha, muito por culpa de falta de entendimento entre a esquerda, do enfraquecimento do governo e talvez porque não teve adversários à altura (ou pelo menos não tão bem municiados financeiramente) como Fernando Nobre, que ainda assim obteve um bom resultado (a exemplo de Manuel Alegre em 2006).


Concluo referindo que, como se sabe, não é o Presidente da República que vai resolver os problemas do país. Há por aí muito português iludido. Para aqueles que celebraram a vitória gostaria de saber que espectativas têm face a reeleição do PR… Dissolução do governo!? Não me parece. Nem seria solução certamente. Só agravaria mais a situação económica, veja-se o actual caso da Bélgica…


Evitem-se os caminhamos, que lentamente, se o rumo desta República não for alterado, nos transportarão para um hipotético anarquismo selvático.


E se não votou, espero que repense seriamente o seu acto, não deixe que os outros decidam o futuro por si!




Carlos Alberto em “Notas mortas”