Estás com fome, mas não tens possibilidade de
comer mais. Há uns anos (até 1987 se não estou em erro) só tinhas 2 soluções.
Ou continuavas a aguentar até que as tuas condições salariais melhorassem, ou
pedias emprestado a um amigo/familiar. Portanto, a dívida das famílias, era
reduzida ou inexistente. No entanto, a partir daí, o crédito concedido por
instituições financeiras (que estava apenas disponível para pessoas colectivas),
estendeu-se ao cidadão comum, e com a introdução de Portugal na moeda única
europeia, liberalizou-se este NEGÓCIO que acabaria por se vulgarizar.
Ora bem, uma pessoa como tu (no
exemplo :P) que estavas com dificuldades para te alimentares (e não te
conseguias financiar da maneira que referi), de repente, dum dia para o outro,
passas a conseguir fazê-lo com relativa facilidade. Ainda, por cima, com juros
baixíssimos e contando com ordenado fixo e emprego (que, se supunha, que durasse
para toda a vida)... Sim, estávamos naquele tempo, em que a efectividade numa
empresa, era sinónimo de competência e reconhecimento por parte do animal
(leia-se boss) xD
Vivia-se bem, havia abundância, o
consumismo começava a imperar e obviamente, que as entidades que emprestavam o
dinheiro (que elas próprias criam), lucravam (e lucram) e expandiam-se a olhos
vistos... Ora, no meio disto tudo, a ganância das entidades financeiras em
querer multiplicar os seus lucros, influência e poder, teve, a meu ver, um
papel determinante que, com o tempo, nos arrastou até este buraco. Repare-se
que: "Quanto mais crédito é concedido, mais capital próprio deve possuir o
banco, para ter um rácio de solvabilidade adequado." Logo quanto mais
capital próprio, mais crédito pode conceder e com maior atractividade, aumentado
assim a cota de mercado e claro, os respectivos lucros (ciclo vicioso).
Para além disso, os juros,
subitamente, deixaram de ser simpáticos passando a ser, na maioria dos casos,
insustentáveis. O que originou um efeito retrocessivo na economia e obrigou
empresas a reduzir despesas, para cumprir com obrigações. Cortes que, afectaram,
para além de fornecedores, os próprios trabalhadores e consumidores (com
salários reduzidos, despedimentos…). Gerando assim, uma onda assassina. Pois,
muitos desses colaboradores, também tinham obrigações a cumprir. Para além das normais
tributações estatais, das necessidades de sustentabilidade diárias
individuais/familiares, incluíam-se, agora, também os juros dos empréstimos
obtidos, que teriam que ser pagos mensalmente (e que, como referido, tinham
aumentado significativamente). Assim sendo, o cidadão também se contraiu o mais
que pode. Muitos ingloriamente (sobretudo devido ao desemprego). Com isto, o
consumo atinge valores mínimos. As organizações não conseguem escoar o produto
ou prestar serviços em quantidade necessária e mais colaboradores são
empurrados para casa. Isto, enquanto estes, a conseguirem ir pagando... Por
esta altura, já se começa também a ouvir o famoso termo, "crédito mal
parado".
Ora se a economia não cresce,
estagna ou entra em recessão. E deste modo, o estado vê-se obrigado, também
ele, a pedir dinheiro emprestado, para fazer face às despesas correntes.
Despesas, estas, que também sobem em flecha, devido a Subsídios de Desemprego, Rendimento
de Inserção Social (...), da mesma forma que, a receita do estado desce
abruptamente. Diminui a produção, diminui o consumo (...) e em contrapartida, o
valor tributado nos impostos relativos aos produtos, bens, pessoas, serviços (e
o raio que os parta), não chega para sustentar a educação, saúde, segurança
social, etc, afecta a toda a população. Então lá vem o Coelho e Gaspar SA e pimba! Toca a subir todos os impostos,
reduzir salários, retirar subsídios, regalias, e um monte de coisas que tínhamos
dado como adquiridas!
No final do ano, não se atinge o
défice exigido, lá vem o Coelho e Gaspar SA , e pimba! Toca a subir os
impostos... Isto até metade da população falir. E se não o pusermos a andar dali
para fora...
Imaginem de novo:
Alguém honesto, consegue um
empréstimo para construir uma fábrica, onde empregaria 300 pessoas. Aquando a
celebração do acordo financeiro com a instituição, acorda-se que, num prazo de
10 anos, estaria tudo pago (com base nas condições económicas do momento e
mesmo a prever que a coisa piorasse em 7% ao ano). Passado 2/3/ anos, a margem
está ultrapassada devido a uma crise económica. Mesmo depois de negociar o
empréstimo não consegue a desejada sustentabilidade… Acham que a pessoa é
culpada por isso? Por acaso ela tem bola de cristal? Tem culpa que haja
especuladores no mundo que quando estalam os dedos mudam as regras do jogo ou
utilizam a sua influência para o virar a seu favor? Como vai conseguir pagar o
empréstimo e salvar todos os postos de trabalho? E os seus trabalhadores têm
culpa de poderem vir a ser despedidos, ou a empresa fechar? E se eles também
tivessem recorrido ao crédito? Para, por exemplo, comprarem um carro, com o
objectivo de se deslocarem até ao local de trabalho!? Também eles são culpados?
Mesmo admitindo que o patrão não
tem formação em economia, que culpa têm os colaboradores!?
E mesmo que os portugueses fossem
culpados, então, mas... O que foi feito para travar os tais "abusos"?
Para que serve o Governo?
Que medidas preventivas foram
tomadas? Porque andarmos sempre a reboque de políticas de reacção!?
E o Banco de Portugal? E o BCE?
Então os que arranjaram a negociata nunca pensaram na perspectiva do
consumidor? E quem aprovou/legalizou e continua a permitir tudo isto sem que se aperte com
estes cães, foi o quê? Conivente, ignorante ou negligente?
Vejamos algumas funções e missões do Banco de Portugal:
Supervisão prudencial e comportamental
Compete especialmente ao Banco de
Portugal "velar pela estabilidade do sistema financeiro nacional,
assegurando, com essa finalidade, designadamente, a função de refinanciador de
última instância". Assim, o Banco exerce a supervisão prudencial das
instituições de crédito, das sociedades financeiras e das instituições de pagamento.
(...)
"O Banco de Portugal exerce
também a supervisão da actuação das instituições na relação com os seus
clientes – supervisão comportamental. Neste âmbito, o Banco de Portugal
intervém no domínio da oferta de produtos e serviços financeiros – para que as
instituições actuem com diligência, neutralidade, lealdade, discrição e
respeito no relacionamento com os clientes – e também ao nível da procura de
produtos e serviços – estimulando e difundindo informação junto dos clientes
bancários, promovendo uma avaliação cuidada dos compromissos que estes assumem
e dos riscos que tomam." (...)
Produção de estudos e análises económicos
"O Banco de Portugal produz
estudos e análises da economia portuguesa, da economia da área do euro e do seu
enquadramento internacional e dos mercados e sistemas financeiros. Neste
âmbito, publica o Relatório Anual, o Relatório de Estabilidade Financeira, o
Boletim Económico e os Indicadores de Conjuntura." (...)
Relações com o Estado
"Compete ao Banco de
Portugal agir como intermediário das relações monetárias internacionais do
Estado, bem como aconselhar o Governo nos domínios económico e
financeiro."
Então mas foram os pobres que
contraíram todos os empréstimos para viver à grande!? Ou os do salário mínimo!?
Foi só a classe média!? Se bastam 3 ou 4 cães para obter empréstimos de valores
superiores a todos os que nós juntos poderemos alguma vez ter acesso!? Há,
esperem... A esses, o estado salda-lhes as dívidas (BPN) com o nosso
dinheiro...
Afinal onde estão os culpados?
Porque são sempre os mesmos a pagar?
Atenção!
Há quem queira que pensemos que fomos nós os despesistas, que foi por nossa causa que a fome regressou, que fomos nós que fizemos negócios ruinosos, fomos nós que beneficiamos de roubos, de tráfico de influências, de paraísos fiscais, de lavagens de dinheiro, de empresas fantasmas, do tráfico de droga, de armas, das guerras, do petróleo e energia, da água, dos incêndios, fomos nós que gerimos as empresas estatais que ruíram, fomos nós que endividámos as câmaras municipais, que beneficiámos de empréstimos para construir estádios e auto-estradas para estarem às moscas...
Temos que poupar! Temos que “esmifrar”!
Temos de trabalhar mais! Temos que de nos calar! Temos que deixar de ser
piegas! Temos que, temos que, temos que... Blá, blá, blá!!! E eles!?!?!? Que
têm eles!? Eu digo-vos: tudo o que o dinheiro comprar... (percebem agora porque
não têm vergonha no focinho?).
Nós não vivemos acima das possibilidades, nós subsistimos com as
possibilidades que nos dão e que nos tiram sem avisar! Estamos dependentes de 2
ou 3 animais, dos seus compinchas e respectivos caprichos...
Continuem a ser os seus cordeirinhos!
Relativamente aos juros, uma vez
que não sou economista e não aprofundei, deixo aqui uma ligação onde poderá
encontrar informação simples sobre a sua variação.
por Carlos Alberto

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