terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Sustentabilidade, onde!?



No Jornal do Fundão:


"Vocação gastronómica pode ajudar a salvar da extinção a ovelha Churra do Campo.

A produção de queijo com sabor distinto para nichos de mercado ou a carne de borrego são apontadas como vocações gastronómicas da Churra do Campo e que podem ajudar a salvar a ovelha da extinção.

A espécie autóctone da Beira Baixa tem sido abandonada pelos agricultores a favor de raças que dão mais leite, até que há seis anos a Câmara de Penamacor iniciou um projeto de conservação acompanhada pela Escola Superior Agrária (ESA) de Castelo Branco.

No início eram 120 ovelhas, lentamente o efetivo tem crescido e já são 260 - ainda assim, longe do número necessário para se considerar fora de risco de extinção, explica à Lusa, Carlos Andrade, docente da ESA, do Instituto Politécnico de Castelo Branco, e secretário técnico do livro genealógico da Churra do Campo.
Este livro regista as medidas e evolução de todos os efetivos da espécie ameaçada e estabelece o estatuto da raça - que permite que cada agricultor receba compensações por receber e tratar a Churra do Campo.
Foi um projeto iniciado com financiamento comunitário do programa Interreg e que permitiu que o trabalho continue agora no âmbito dos apoios do Programa de Desenvolvimento Rural (Proder) para a preservação da biodiversidade.
A Churra do Campo foi desaparecendo, tal como os pequenos agricultores, explica Carlos Andrade: "Vingam os rebanhos maiores em que, para terem maior produtividade, se substitui a raça por outras com maior capacidade de produção de leite".
Só que isso acaba por se refletir no sabor e qualidade do queijo.
"Hoje, temos queijos mais homogéneos, mas perdeu-se aquele queijo extraordinário que de vez em quando se comia", porque tinha origem num leite diferente, de uma espécie distinta.
Ou seja, a Churra do Campo pode ser uma mais-valia, "não pela quantidade, mas pela qualidade".
As experiências feitas na ESA mostram que "o leite tem outras características e sabor" e logo "o queijo também", sublinha Carlos Andrade.
Os trabalhos estão prestes a ser publicados numa edição do Instituto Politécnico de Castelo Branco e, para além do leite, debruçam-se também sobre a qualidade da carne.
É o caso da tese de mestrado de Joaquim Carvalho, que concluiu que a comercialização de Borrego da Beira desta raça pode ser uma boa oportunidade.
"Fizemos um painel de consumidores e as pessoas apreciaram a qualidade da carne", que se distingue por ser "muito tenra, com um sabor característico" e que só provando se conhece.
Estas potencialidades da Churra do Campo casam com "as políticas europeias, que confluem para a importância da biodiversidade, por razões ambientais e económicas", destaca Celestino Almeida, diretor da ESA.
Para aquele responsável, no caso dos estudos sobre esta espécie, como outras, "o conhecimento técnico e científico da escola está ao serviço da comunidade, porque, quem não conhece o que tem, não o pode preservar".
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Objectivo lucro/produção/espremer ao máximo! Resultado, extinção/destruição dos recursos naturais (neste caso, característicos da região). E depois, os fundos públicos (que nós financiamos, através de impostos) que deviam ser destinados à saúde, segurança social, (etc), servem para ir tapando uns "buraquitos" da cratera, que o mercado selvagem cria (já para não falar que, em muitos casos, esses fundos acabam por ser diluídos, através dos mais diversos caminhos antes de chegar ao destino...).
Pagamos para ter o que eles produzem, e pagamos para tentar compensar aquilo que eles destroem para, assim, produzirem em maior escala e com menor custo (produtivo)...
Mas, viva à fartura!
Agora imaginem este tipo de situações (mais que vulgares) à escala macroeconómica/mundial...
Não se queixem pela falta de sustentabilidade (que isso é óbvio), deixem é de sustentar quem explora os recursos naturais (destruindo o que é de todos), e quem gere (mal) o dinheiro dos contribuintes.
Tantas leis que existem (algumas só para "chuparem" o contribuinte) e não são capazes de legislar, a fim de obrigar as organizações ou particulares, que tenham um mínimo de cabeças (desta espécie) obrigatoriamente? Não ficaria mais barato que remendar (ou tentar remendar) o problema criado por privados!? Enfim...
Rui Correia


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